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Menino, eu leio a sua sorte.

Afobório

Conto candidato FICÇÕES VINTE

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Um dia quente e de vento frio. Eu tinha gosto de conhaque vagabundo na boca. Meu coturno parecia mais pesado que de costume. Andava e arrastava minh’alma com meus pés. Estranho, era um filme fantasma. Quando a vi, fui parado.
Só eu e ela na rua.
— Menino, eu leio a sua sorte.
Silêncio.
Era perfeito. Veio para mim como um anjo. Estendi a mão!
— Leia. — falei olhando nos olhos dela.
— Não!
Agarrei-a pelo punho e tomei sua mão. Brusco. Sem medo.
— Me larga!
— Agora vai ler.
O pavor estampava a cara da velha cigana. Ela tinha os cabelos caramelo. Combinava com os olhos claros e o rosto alongado. Coitada, teve medo. Percebeu que era sua única saída.
— Vejo que carrega sangue. É vazio por dentro. — respondeu, cheia de terror.
Puxou o braço, queria escapar. Segurei e apertei.
— Você vem comigo.
— O seu coração está cheio de dragões vermelhos, que mordem o tempo inteiro. Carcomem o seio de seu ódio.
Andamos até o bosque.
— Leia! — gritei.
Saquei a faca. A última coisa que leu.